Prova de Fidelidade

“E sucedeu que, voltando Saul de perseguir os filisteus, anunciaram-lhe, dizendo: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.
Então tomou Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi em busca de Davi e dos seus homens, até sobre os cumes das penhas das cabras montesas.” (1Sm 24.1-2)

Desconhecendo a presença de Davi e seus homens em uma caverna, Saul entrou nela. E, devido á natureza providencial do incidente, os homens de Davi lhe disseram crendo que falavam em nome do Senhor: ¹

“Eis aqui o dia, do qual o Senhor te diz: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos, e far-lhe-ás como te parecer bem aos teus olhos. E levantou-se Davi, e mansamente cortou a orla do manto de Saul.
Sucedeu, porém, que depois o coração doeu a Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul.
E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR.” (1Sm 24.4-6)

Deus posicionou vantajosamente Davi diante de seu maior inimigo. Porém, Davi por temor ao Senhor, optou por não o ferir. ²

Pois, a unção espiritual sobre alguém pode ser definida como uma escolha ou separação desta pessoa por Deus para uma determinada função ou tarefa. E, como para exercer a realeza era necessário receber unção para tal, ela era santa diante de Deus. Logo, apesar de Davi ser ungido rei, decidiu deixar o cargo á disposição do Senhor e não o arrancar de Saul assassinando este. ³


“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo;
Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;
Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens.” (Ef 6.5-7)


Davi, ao sair da caverna, humildemente honrou e reconheceu a liderança de Saul, submetendo-se desta forma a soberania divina relativa á concessão do reino de Israel á Saul, mesmo que este moralmente não merecesse o referido tratamento. E, disse á Saul: 4

“Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: Eis que Davi procura o teu mal?
Eis que este dia os teus olhos viram, que o SENHOR hoje te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do SENHOR.” (1Sm 24.9-10)

Saul apenas soube que Davi o observava porque este o declarou. Talvez, a intenção da declaração fosse para alertar Saul sobre o erro que cometia em  perseguir quem sequer o desejasse mal.

O ocorrido naquele ambiente isolado (caverna), implicitamente, indica que Deus pode revelar instantes de vulnerabilidade dos inimigos enquanto os mesmos intentam o mal contra um servo do Senhor.

Desta forma, Deus prova o coração destes servos e demonstra o quão frágil nos tornamos ao agirmos como Saul: rejeitando o direcionamento de Deus e confiando na força humana para superar  “obstáculos”, ou de satisfazer desejos que estão em desacordo com a Palavra do Senhor. 5


Confiante na onisciência e justiça divinas, Davi completou:

“Julgue o Senhor entre mim e ti, e vingue-me o Senhor de ti; porém a minha mão não será contra ti.
Como diz o provérbio dos antigos: Dos ímpios procede a impiedade; porém a minha mão não será contra ti.
Após quem saiu o rei de Israel? A quem persegues? A um cão morto? A uma pulga?
O Senhor, porém, será juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão.” (1Sm 24.12-15)

Saul chorou e disse a Davi: Mais justo és do que eu; pois tu me recompensaste com bem, e eu te recompensei com mal.
E tu mostraste hoje que procedeste bem para comigo, pois o Senhor me tinha posto em tuas mãos, e tu não me mataste.
Porque, quem há que, encontrando o seu inimigo, o deixaria ir por bom caminho? O Senhor, pois, te pague com bem, por isso que hoje me fizeste.” (1Sm 24.17-19)


“A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.
Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.” (Rm 12.17-19)


Saul aparentou remorso. Entretanto, posteriormente voltou á intentar o mal contra Davi. Logo, o arrependimento não foi sincero. Talvez o tenha expressado devido a situação de fragilidade a qual estava exposto diante da pessoa que injustamente perseguia. 6

Saul é o exemplo de pessoas que  possuem conhecimento da Palavra de Deus, desejam o poder que a unção de Deus oferece, porém não vivem em sinceridade e obediência ao Senhor. Entretanto, as promessas divinas relativas ás bênçãos estão intimamente relacionadas á obediência á Palavra de Deus. 7

Davi possuía a unção para o reinado sobre Israel, enquanto Saul exercia a função real. A perda desta unção por parte de Saul foi devido ás próprias iniquidades. No entanto, acreditava que destruindo Davi perpetuaria seu reinado, ainda que Deus já houvesse rejeitado Saul como rei. 8

Davi agiu com discernimento espiritual ao identificar uma falsa profecia. Pois, reconhecia a proteção divina sobre um ungido do Senhor e que a vingança pertence unicamente á Ele. Logo, não deveria vingar-se de seu inimigo. Demonstrando o quão primordial é conhecer as Escrituras Sagradas.


Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” (2Tm 3.16)


Exércitos foram “levantados” contra Davi. Porém, não o impediu de alcançar a promessa divina de reinar sobre Israel.


Neste cenário de intensa perseguição pessoal, Davi foi um exemplo de obediência, sinceridade e conversão ao Senhor; sabedoria, humildade, misericórdia e amor ao próximo. Esta postura demonstra o porquê Davi, mesmo sendo um homem sujeito ás tentações como qualquer outro, é considerado por Deus como um homem segundo seu coração. 9


“Bom é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo;
Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade;” (Sl 92.1-2)


A paz do Senhor!

 

 

Referências:

  1. 1 Cr 10.13-14
  2. Sl 66.10
  3. 1 Sm 26.8-11; 2 Sm 1.14-16; Is 45.1
  4. 1Sm 24.8; Rm 13.1-4
  5. Sl 139.23; Jr 17.5
  6. 1Sm 26.21
  7. Dt 28.1-14; Rm 6.16
  8. 1 Sm 15; 16.13-14
  9. 1Rs 9.4; At 13.22
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Publicado por

Gisele

" É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30)

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