O que buscar em Jesus?

Jesus ao navegar acompanhado de Seus discípulos para a cidade de Tiberíades, ás margens do Mar da Galiléia (ou mar de Tiberíades)1, foi seguido por uma multidão de quase  cinco mil homens (Jo 6.10) que testemunhavam diversos milagres que Ele fazia sobre os enfermos (Jo 6.1-2).

Jesus teve grande compaixão por estas pessoas por perceber que as mesmas estavam desorientadas2; e as ensinaram muitas coisas (Mc 6.34). Antes de haver despedido-as, Jesus multiplicou cinco pães e dois peixes (Jo 6.9) e as saciaram fisicamente (Jo 6.12). Imediatamente após terem as próprias necessidades supridas, O reconheceram como profeta enviado por Deus (Jo 6.14).

 

“Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, Ele só, para o monte.” (Jo 6.14-15)

No dia seguinte, a mesma multidão procurou em vão por Jesus e Seus discípulos no mesmo lugar citado anteriormente, pois os mesmos haviam ido á cidade de Cafernaum (Jo 6.17). Então, achando-O no outro lado do mar e dentro de um templo religioso (Jo 6.59), disse: “Rabi, quando chegaste aqui?” (Jo 6.25).

Jesus respondeu:

 “… Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou .” (Jo 6.26.27)

Talvez na tentativa de demonstrar interesse em fazer a vontade de Deus, estas pessoas perguntaram: Que faremos para executarmos as obras de Deus?” (Jo 6.28)

 Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que Ele enviou.
Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.

Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.

Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” (Jo 6.28-33)

 Sedentos por atender de forma contínua as próprias necessidades, disseram: … Senhor, dá-nos sempre desse pão.” (Jo 6.34)

“E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” (Jo 6.35)

 “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?” (Jo 6.41-42)

 

Enquanto Jesus supriu os desejos imediatos desta multidão, ela O glorificou como  profeta4  , chamou-O de rabi, ou seja, mestre (Jo 1.38) e prontamente tentaram levantá-lO como seu rei (Jo 6.15), sem exigir provas da natureza divina de Jesus.

Entretanto, quando estas pessoas perceberam que não obteriam necessariamente o que ansiavam, e deveriam se submeter aos Seus ensinamentos, que não são pesados 5 , murmuraram e O menosprezaram  (Jo 6.42). Logo, a motivação por “fazer a obra de Deus” (Jo 6.28) não era o amor, mas sim para obter algum ganho pessoal, seja poder para operar os mesmos sinais de Jesus ou mesmo para suprir as próprias carências mais básicas.

 Porém, Jesus as respondeu que não é necessário que murmurassem, pois á ninguém é obrigado aceitá-lO. Pois, Deus doutrina á todos quanto aos Seus ensinos. No entanto, apenas quem acredita nos mesmos e os praticam serão por Deus Pai enviados á Jesus, o que não era o caso desta multidão (Jo 6.43-45; Jo 6.36).

 

  “Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” (Jo 6.49-51)

 Cristo explicou que eles desejavam bênçãos que não tinham o poder de suprir além das necessidades temporais e terrenas do homem. Entretanto, Jesus oferecia a Si mesmo como o único alimento espiritual enviado por Deus Pai capaz de suprir todas as necessidades humanas, além de conduzi-los á vida eterna. Todavia, ainda muito apegados á materialidade perguntaram:  “…Como nos pode dar este a sua carne a comer? “(Jo 6.52)

 

Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim..” (Jo 53-57)

Portanto, comer a carne e beber o sangue de Cristo é possuir comunhão espiritual com Ele (Mc 14.22-24), assim como Ele possui comunhão com Deus Pai. A pessoa que não a possui perderá a salvação, pois ninguém a alcançará  por si próprio.

  “Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6.60)

“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele.” (Jo 6.66)

Quantas pessoas como esta multidão buscaram á Jesus em momento de dificuldades para suprir as próprias carências e O abandonaram após receber o que desejavam ou por encontrar dificuldades em vivenciar Seus ensinamentos?

A multidão citada glorificou á Jesus apenas quando presenciou Seus sinais miraculosos (Jo 6.14-15). Enquanto estava sedenta por ajuda, transpassou barreiras para encontrá-lO. Logo, O buscaram ansiosamente dentro de um templo religioso (Jo 6.59) e atravessaram mar e cidades (Jo 6.24).  Entretanto, mesmo possuindo conhecimento da palavra de Deus (Jo 6.31), não desejaram ter comunhão com Jesus, preferindo abandoná-lO . Pois, para ter comunhão com Cristo deveriam ser submissos e obedientes á Ele (Jo 6.35; 1Jo 2.6). Ou seja, para ela Jesus só era reconhecido como profeta enviado por Deus quando O mesmo supriu suas necessidades.

Devido á multiplicação da iniqüidade, o amor de muitos se esfriou (Mt 24.12). Logo, não é raro conhecermos pessoas que buscam Jesus com a mesma motivação oportunista citada acima. No entanto, se quisermos ser salvos, devemos procurar ter comunhão com Cristo. E, para isto, por amor á Ele, é necessário renunciarmos coisas que O desagradam, mesmo que elas sejam importantes para nós. Pois não haveria nenhum proveito se ganhássemos o “mundo inteiro” e perdermos a nossa alma, já que ela não pode ser comprada com nada além do sangue de Jesus 6.

 


 

 Qual é o preço da comunhão com Cristo?

É o tamanho das renúncias que venhamos á fazer por amor á Ele, o que não significa nada se comparado  á tudo o que Ele já fez 7 e ainda fará por cada um de nós.


A Paz!

 

  1. Geografia Bíblica Sistematizada, páginas 59 e 60.
  2. “…porque eram como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6.34)
  3. Jo 6.29
  4. Jo 6.14
  5. 1Jo 5.3
  6. Mt 16.24-26 ; 1Co 6.20; Hb 13.12; 1Pe 1.2; 1 Jo 1.6-7; 1Jo 2.15-17
  7. 1Pe 1.18-20

 

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Publicado por

Gisele

" É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30)

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